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Goodbyes

 

Fiquei meio relutante pra vir aqui, fiquei adiando o momento de olhar as fotos, de falar sobre tudo isso, mas deixo aqui aberto pra mim a primeira vez que jogos meus pensamentos em palavras pra falar, d e l a.

O ciclo da Holanda se encerrou, do mesmo jeito que ele começou muito doido desde a hora de embarcar no aeroporto e com ele se fechando comigo às pressas adiantando minha volta pra casa.
Foi tudo muito rápido de certa forma e pra ser sincera eu queria mesmo voltar pra cá, mas não sei se era pelo motivo certo. 
Hoje, já passando duas semanas que eu to na minha casa - mesmo, que agora sei que é a casa deles - dos meus pais -, parei pra pensar no mundo paralelo que vivi e que vi, não queria nem ouvir algumas músicas porque eu sabia que ia me lembrar de muita coisa e com muita terapia e cuidado, eu vou moldando o que foi essa experiência pra mim. Já fui bombardeada com as perguntas: “como foi, como é lá, quais são os próximos planos, vai voltar, e adaptação como tá?”.. perguntas que antes de me fazerem eu faço pra mim mesma pra tentar entender o que foi esses quase 300 e poucos dias vivendo na gringa.. e foi uma experiência e tanto, cheia de validações boas e ruins, quero ter cuidado na hora de falar, na hora de pensar e de sentir, é muita coisa que essa volta pra cá - essa casa, esse lugar tá me proporcionado. 
Ontem vendo filme, vem o clichê de que: quando você passa tanto tempo fora, você percebe que nada mudou, os objetos, a casa, as pessoas, quem mudou foi você.
Eu mudei, eu sei, relutei também pra validar isso pra mim também, to relutante também de mostrar esse outro eu pro mundo e pras pessoas que eu gosto, mas antes disso eu quero me sentir confortável comigo mesmo.. o que não aconteceu ainda. É claro que nem todo mundo gosta de mudança ou tem medo, e eu sempre fui uma daquelas pessoas que ouvem a palavra mudança e congela, mas dessa vez eu quero encarar isso da melhor maneira, com carinho. 
Mas não é fácil e não vem sendo, é engraçado perceber a sutileza de algumas coisas e de simples gestos que agora eu sei que valem o mundo pra mim. 
Nessa experiência eu sai daqui procurando um novo lar, que eu pudesse chamar de meu, vira e mexe eu sei que to procurando e agora sei, procurei nos lugares errados, a frase "home is where your heart is" é mais poderosa e verdadeira desse mundo e to tentando entender que meu lar não é lugar, quero tentar entender ainda mais que meu lar sou eu, a minha casa sou eu, meu porto seguro sou e u.
Ainda pensando no que foi tudo isso, eu me pego lembrando de atitudes que poderia ter tido ou de coisas que poderia ter feito, mas uma coisa que eu aprendi antes de ir, foi sobre nível de consciência, acho que é natural eu pensar desse jeito, assim como mais natural tem que ser a aceitação que essas coisas eu nunca vou poder mudar, mais uma vez vou ter que olhar com carinho isso t u d o.
A Holanda - país, me trouxe muitos olhares em relação ao mundo, pessoas e principalmente cultura e com certeza dei valor ao meu país e nossa cultura, não trocaria isso por nada, nem pelo golden passaporte europeu que facilita tua vida em um milhão. Enfim, foram muitas coisas, certezas que são incertezas, ainda vou voltar aqui com muitas reflexões tentando entender o que aconteceu.
Chegou também a hora de um recomeço, outra coisa que eu to tentando prever como vai ser, ansiedade minha, eu sei, mas isso aí é outra história. Esse monte de palavras desconexas foi apenas pra dizer que eu e você, Holanda, não tivemos nossa despedida, mas ela foi do jeito que tinha que ser.

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