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Nem foi tempo perdido.

Pensei em números dias vir aqui te escrever e to vindo aqui agora. Pensei em vir ontem, que estava com umas cachaças na cabeça, mas, achei melhor deixar de lado e ir dormir,  talvez seja a última vez que eu apareça por aqui, não sei, não sou muito boa com despedidas. Se eu tenho uma razão? Acho que são as perspectivas de fim ano, e talvez os nossos diálogos que tivemos nas últimas vezes.          
Pensando em tudo que a gente teve, se é que a gente teve alguma coisa, não foi tempo perdido, e olha que já passou um ano que acabou, não é? Um ano de dois anos de pura inocência – em falta de palavra melhor -, já me aconselharam tantas coisas sobre isso, pra eu lembrar as coisas boas ou só as coisas ruins, depois de muito tempo, eu decidi acreditar que você por um momento esteve de verdade ali e eu acho que se acreditar que não, vai ser um grande branco na minha vida, dramático você não acha? Mas é porque é bem isso. Eu aprendi muito com você, e seria mentira se eu dissesse que não tive uma das melhores sensações com você, eu me descobri um pouco contigo e me desculpe se eu não transpareci o mesmo, mas, eu sei o que você representou pra mim, durante muito tempo eu não sabia exatamente e eu sei que te esquecer vai ser difícil porque acho que você foi meu maior aprendizado de todos, mesmo que de uma forma diferente e surreal, mesmo que se quer tenha havido um toque, nossos toques foram de outro jeito. Acho que esquecer mesmo vai ser difícil, essas coisas a gente não esquece. 
Depois que tudo ocorreu, tive e tenho que conviver com “quando te deixei” e “depois que eu te deixei”, foram estranhos, senti uma falta absurda e eu passei por todas as fases que se deve passar, desde a fossa, crises de abstinência, raiva, saudade e superação, e é com um grande alívio e orgulho que eu olho pra trás e vi como as coisas passaram, confesso que não foi tão difícil assim, já que tivemos o nosso súbito afastamento, assim as coisas melhoraram.  E parte desse afastamento foi graças a você, - eu sempre deixei as pessoas me machucarem e sendo o covarde suficiente para aguentar tudo calada e sozinha -, talvez se você não tivesse feito o que fez, estaríamos hoje no nosso impasse. E te perdoei, não guardo mágoa, mas eu guardo umas dúvidas de o por que chegamos a tal ponto, claro, a culpa não é só sua, mas convenhamos  que não tivemos nossa conversa final e eu confesso que hoje, dia 27/12 eu queria te perguntar tudo que me vem a mente, mas eu sei que você não responderia e mais que isso, são coisas nunca que vou saber. No começo eu sentia falta absurda de querer saber seus motivos, agora eles perderam força, mas ainda estão aqui, acho que no fundo sempre vou esperar ou talvez seja aquela velha resposta que todos dão, mas eu queria saísse da tua boca.
Depois de tanto tempo, depois de um ano, eu ainda lembro de você em coisas pequenas ou em grupos de conversa, sempre vou lembrar daquelas conversas e momentos especiais que tivemos, ou que quando escuto Engenheiros do Hawaii ou Legião Urbana, você me vem a cabeça mas não de uma forma dolorida, eu olho e vejo como eu superei tudo isso se tornando apenas uma lembrança, porém algumas raras vezes você me doía muito e ah, como doía e então passava, fez tudo parte do processo que tive passar, você sabe. Acho que depois de hoje, não vamos ter nenhum contato, nenhum mesmo, mas porque eu acho que é melhor, pra eu lembrar de ti com as velhas lembranças e você ficar com as velhas lembranças de mim. Acho que é isso, te falei assim, confuso e embaralhado porque você sabe como eu sou, mas eu sei que nessa bagunça toda você vai se achar e entender e eu espero com todas as forças que entenda mesmo.
Por fim, eu te desejo toda a felicidade que eu sei que merece, quem sabe a gente se esbarra por aí, ou quem sabe não, ah, eu te amo. Mas deixa assim como está, não deu porque o amanhã a gente não diz.
                                                       
                                                                        Ao meu amor mais surreal, fica bem. Sua P.

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